não.. não acho que a crise justifique tudo, nem acho que a luta contra a
crise justifique tudo, nem acho sequer que a revolta contra a maneira
como esta crise é conduzida justifique tudo..
sei que há
oportunistas e revoltados de ambos os lados da questão.. sei que em cada
empresa, em cada escola, em cada associação há uns e outros, sei que a
revolta nos atinge grandemente e a vontade de a por em pratica é grande.
considero que devemos ter todos a racionalidade suficiente para saber
separar o trigo do joio, considero que no campo mediático todos temos um
papel como observadores, relatadores, mas acima de tudo como críticos.
a generalidade dos trabalhadores dos meios de comunicação social não
são o inimigo, não servem o grande capital e concordam largamente com
toda esta revolta contra uma pseudo-crise que também os afecta.
sou, sempre fui, contra jornalistas que tomem um lado da questão, mesmo
que esse lado hoje seja o meu. sei que um jornalismo que não é isento
não é jornalismo.. é propaganda, e a propaganda é a melhor forma de nos
cegarem.
por isso considero que mais importante do que os erros
pontuais, mais importante que as noticias não serem expressas da forma
que melhor me servem, é o facto de também não serem da forma que melhor
servem quem se opõe a mim.
prefiro, e defendo, um jornalismo independente (ou o mais independente possível).
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